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Atuação do Fonoaudiólogo no Covid-19

Publicado em 17/08/2020 08:00

O fonoaudiólogo está inserido entre os profissionais na linha de frente em combate ao Covid-19 de maneira a integrar as equipes multidisciplinares e interdisciplinares em todo país, principalmente em ambiente hospitalar dentro da Unidade de Terapia Intensiva.

Os pacientes acometidos pelo Covid-19, nos casos mais graves são entubados, respirando por meio da ventilação mecânica, chegando a ficar até 14 dias nesta condição. Paciente que não consegue evoluir para extubação, evolui para o procedimento de traqueostomia. Tanto em casos de pacientes que ficaram entubados, quanto pacientes que foram traqueostomizados podem apresentar Disfagia.

Disfagia é o problema que afeta a deglutição de alimentos e até da própria saliva, é a dificuldade em levar o alimento ou a saliva da boca ao estômago. A deglutição ocorre quando todas as válvulas pressóricas, estruturas e funções estão íntegras e integralizadas.

Em pacientes que foram submetidos a (entubação) o que pode ocorrer é que devido a presença do tubo orotraqueal pode se lesionar estruturas da orofarínge e laringe, acarretando diminuição da eficácia e funcionalidade do movimento e também da sensibilidade necessária para efetuar a proteção da via aérea inferior.

Nos casos de entubação prolongada lesões nas pregas vocais podem ocorrer, em casos mais graves como paralisia/paresia de prega vocal pode haver risco de disfagia devido ao comprometimento de fechamento glótico, em casos de lesões menores a voz pode ficar alterada (rouquidão, aspereza, soprosidade) sendo necessário a reabilitação a nível ambulatorial.

Nos casos de traqueostomia o caso é ainda mais grave, devido ao procedimento cirúrgico ser implantado direto na traquéia para facilitar a respiração, ocorre uma modificação da fisiologia normal da deglutição, então é necessário adaptações, manobras e manejos diferenciados. Sendo assim junto com a equipe médica e fisioterapeutas, o fonoaudiólogo traça um programa para promover a alimentação por via oral (quando possível) de forma mais próxima a fisiologia normal, objetivando também a decanulação com técnicas e utensílios específicos.

A disfagia nesse público pode ocorrer também porque esta doença causa grandes comprometimentos respiratórios (Síndrome Respiratória Aguda Grave- SARS) e a incoordenação da respiração x deglutição é um fator preditor para aspirações, e a alta incidência dos pacientes que evoluem para o caso mais graves terem outras comorbidades como (Idade avançada, Hipertensão, Diabetes, Doenças respiratórias, Doenças do sistema nervoso central e com baixa imunidade) aumentam o risco para disfagia e risco de morte.

O Conselho Federal de Fonoaudiologia recomenda que a entrada do fonoaudiólogo deva ocorrer apenas quando paciente já estiver extubado ou traqueostomizado, com maior estabilidade clínica. Deve se evitar inspecionar a cavidade oral, evitar o estimulo a tosse, a deflação do cuff e a adaptação da válvula de fala, pelo grande risco de disseminação de aerossóis, para isso recomenda-se aguardar a negativação do painel viral.

Sugere-se que a assistência seja prestada preferencialmente por um profissional exclusivo, não havendo esta possibilidade, sugere-se que sejam atendidos os pacientes nesta ordem: Não suspeitos, Suspeitos, e Confirmados.

O fonoaudiólogo é o responsável para avaliar a (deglutição, motricidade oral, respiração, voz e comunicação) e este será o responsável para a condução e liberação da consistência alimentar mais segura para o inicio da alimentação por via oral e para a reabilitação da respiração pelo nariz, patência vocal, efetividade da tosse (em conjunto com o fisioterapeuta) para a retirada da traqueostomia.

Para isso é necessário, ter atenção as medidas de precaução padrão, com o uso dos equipamentos de proteção individual adequados para proteção de pele e mucosas.

Como é uma doença relativamente nova, há poucas evidências na literatura que correlacionam a disfagia e o Covid-19, sendo percebido mais em correlação com o tempo de entubação, o uso de traqueostomia, as comorbidades prévias e as sequelas pulmonares e respiratórias o maior o risco de broncoaspiração.

O fonoaudiólogo ocupa um papel de fundamental importância dentro da reabilitação dos pacientes com sequelas advindas do COVID-19, e roga por mais espaços dentro dos hospitais já que ainda não é lei a presença exclusiva deste profissional dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Referência bibliográfica:
1. Conselho Federal de Fonoaudiologia (https://www.fonoaudiologia.org.br)
2. (https://www.braspen.org)
3. CoDAS vol.32 no 3 São Paulo 2020 Epub June 22, 2020
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Hellen França

Fonoaudiólogo
CREFONO 54008 MS

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Responsável técnica:
Dra. Thais Correia Leone Della Pace
CRM/MS 4056
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